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15 de Outubro, 2022

Opinião. O que há de especial nos especiais da televisão?

Reprodução

Nos últimos anos, os telespectadores que acompanham os canais privados em Portugal têm assistido a uma constante alusão ao adjetivo “especial”. Muitas vezes essa “especialidade” é anunciada em antena e, mais tarde, tem direito a uma “mosca” abaixo do logótipo da estação.

Novelas e programas têm ganho nas suas transmissões o carimbo de “especial”. Mas afinal o que têm de diferente? A resposta é simples: nada. É um truque simples e sem custos utilizado maioritariamente pela SIC, mas também pela TVI, para garantir que o público mantenha o interesse na programação.

Há uns anos, raras eram as vezes em que um “especial” era mesmo “especial”. Hoje em dia, um episódio de uma novela ou série que faça uma revelação esperada na história recebe honras de algo extraordinário. E até quando é que esse anúncio tem força para agarrar os telespectadores? Diria que já não tem e chega a ser ridículo tal utilização.

Numa altura em que a televisão não tem apenas concorrência de peso entre si, tem de existir um esforço maior para prender o público. Hoje em dia, o público tem um sem número de produtos para assistir quando e como quiser, através dos serviços de streaming, tem informação, vídeos e redes sociais através da Internet e tem ainda um sem número de podcasts para poder ouvir.

Mal seria se um programa de televisão ou uma novela não tivesse novidades, revelações ou novidades a cada transmissão ou a cada episódio.

A continuar, os canais correm o risco de lhes acontecer o mesmo que ao Pedro da história infantil ‘O Pedro e o Lobo’. No dia em que algo for realmente especial, ninguém vai acreditar.

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