Opinião. Ainda precisamos de um pôr do sol

‘Pôr do Sol’ é a mais recente aposta da RTP para as noites de verão. Estreada esta segunda-feira (17/08), a novela, que é na verdade uma sátira ao género, é aquilo de que ainda precisamos em tempos de pandemia: boa disposição.

Pôr do Sol
Gabriela Barros/Instagram

O canal público saiu da caixa, ou da casca, e produziu uma mini novela que é nada mais nada menos que uma “crítica” bem disposta àquilo que as estações privadas servem aos espectadores diariamente. Contudo, e apesar da sátira, não há falta de respeito para com o produto e isso é também muito importante neste ‘Pôr do Sol’.

Nesta história há de tudo: um amor proibido, duas irmãs que não se conhecem por terem sido separadas à nascença, dois irmãos que se apaixonam sem saber que o são, doenças terminais e até momentos de publicidade.

Nada foi deixado ao acaso numa trama que conta com atores que habitualmente fazem parte dos elencos das novelas, da SIC ou da TVI, e que aqui vivem papéis idênticos, com o mesmo profissionalismo e seriedade, mas com um tom irónico.

Gabriela Barros, Diogo Amaral, Manuel Cavaco e Sofia Sá da Bandeira dominaram o primeiro episódio com algumas boas tiradas humorísticas. ‘Pôr do Sol’ tem humor quanto baste, mas não é popular, por exemplo, como ‘Festa é Festa’. Muito provavelmente, parte do público do primeiro canal não vai entender ou apreciar o produto e, muito por isso também, a aposta é mais louvável. 

A opção da RTP é de se lhe tirar o chapéu, sobretudo numa altura em que o canal usa e abusa das repetições de programas e séries, em especial no horário nobre.

Exageros

Apesar de muitas coisas boas, este mini novela tem também algo de menos bom a apontar. É que nem sempre o descabido ou o insólito tem piada e esse é um dos erros desta produção.

Por exemplo, ter a personagem de Manuel Cavaco a cortar lenha na sala porque não pode cortar no exterior da casa já que dormiu durante muitos anos nu é algo demasiado forçado e leva a produção a cair num exagero desnecessário.