Opinião. Faz sentido um serviço público sem público?

A RTP é um canal pago com o dinheiro dos contribuintes e, por isso, tem o dever de fazer serviço público. Com isso, também as audiências não devem mover as escolhas da estação. Contudo, há vários meses que o canal um está em queda e tem cada vez menos público. Até onde fará sentido uma televisão com pouco ou nenhum público?

RTP serviço público
RTP/Instagram

Nas últimas semanas, a RTP1 tem registado quotas de mercado diárias que rondam os 10%/11%, ou até menos aos fins-de-semana. Estes valores, para um canal de sinal aberto mesmo em tempos em que a Internet e os serviços de streaming ganham cada vez mais seguidores, são consideravelmente baixos.

Estes número até nem teriam importância se o canal do Estado tivesse uma programação, inquestionavelmente, de serviço público e que a distinguisse dos demais. Pelo contrário, a estação está cada vez mais próxima daquilo que fazem os concorrentes privados. A isso junta-se uma quase total ausência de novidades ou de mexidas na grelha, como se tudo estivesse a correr pelo melhor. 

Muito resumidamente, as grandes novidades da estação dos últimos meses resumem-se a um ou outro programa de informação, a umas tantas séries exibidas maioritariamente às quartas-feiras à noite e a que se junta também o horário nobre de sábado que volta e meia recebe um novo programa.

José Fragoso, diretor de programas, parece ter adormecido à sombra de uma bananeira cada vez mais desfolhada. Por exemplo, o ‘Joker’, de Vasco Palmeirim, fez um percurso incrível a dada altura e mereceu cada temporada. O problema é que a sua exibição excessiva acabou por cansar o público e hoje já lhe é impossível alcançar os números dos tempos áureos. Precisa, obviamente, de um substituto mesmo que se mantenha o apresentador.

Além de uma crise de audiências, há uma ainda mais grave crise de ideias. Em 2019 a RTP alcançou 12,5% de quota mercado na média anual, desceu para 11,9% em 2020 e pode ficar abaixo disso em 2021. Não fosse o futebol e estes números anuais seriam ainda mais baixos.

A RTP pode dar-se ao luxo de não ter grandes audiências em todos os seus programas, mas não pode chegar ao ponto de se tornar irrelevante.

Onde anda Filomena?

Um novo programa de Filomena Cautela foi anunciado há vários meses, mas até agora nada se viu. A apresentadora bem tenta manter a chama acesa nas redes sociais e o seu regresso seria, com certeza, uma lufada de ar fresco.

Páscoa em português

Já se perdeu a conta às vezes em que o canal público exibiu as novas versões de clássicos de filmes portugueses. Esta Páscoa, a RTP voltou a apostar na “trilogia” de Leonel Vieira com resultados muito pouco animadores. Que tal fazer uma pausa maior entre exibições?

Este artigo foi originalmente publicado no site Espalha-Factos.

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