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10 de Abril, 2021

Opinião. O dia em que Sócrates acabou com a pandemia

Se o título deste artigo fosse uma realidade, acredito que todos os portugueses já teriam perdoado José Sócrates por todos os seus, para já, alegados crimes. Infelizmente, a pandemia mantém-se, apesar de as televisões terem feito parecer que a Covid-19 passou a ser o menor dos nossos problemas.

Sócrates
Rui Duarte Silva/Visão

Esta sexta-feira (10/04) os serviços informativos dos canais nacionais exploraram, ao máximo, o julgamento relativo ao ‘Caso Marquês’ em que o antigo Primeiro-Ministro, José Sócrates, está envolvido. RTP, SIC, TVI e a própria CMTV deixaram de lado a pandemia que domina os jornais televisivos desde o ano passado.

É inegável que este caso é importante e que interessa ao público em geral, já que, pela primeira vez, uma antiga segunda figura mais importante do Estado português está envolvida num processo judicial ligado à corrupção. Contudo, tal não invalida que o mundo esteja a atravessar uma pandemia que está longe de estar resolvida.

Depois de horas e horas de noticiários relacionados com a Covid-19, muitas vezes até exageradamente, eis que um novo assunto passou a dominar os interesses dos jornalistas.

A avaliar pelo tempo dedicado pelos informativos ao novo coronavírus e as suas implicações, percebe-se então que ou há muito tempo que a televisão exagera na cobertura mediática relativamente à doença, ou então basta alguma novidade de interesse nacional para que outro assunto seja colocado de parte.

Para que se tenha perfeita noção, na sexta-feira, a SIC dedicou menos de cinco minutos do seu ‘Jornal da Noite’ à pandemia. A TVI utilizou seis minutos do seu tempo de antena no ‘Jornal das 8’. A RTP1, por sua vez, foi o canal que mais tempo deu ao assunto pandemia, rondando os 15 minutos, no seu ‘Telejornal’. 

Sócrates conseguiu acabar com a pandemia nas televisões num piscar de olhos, contributo que também a morte do príncipe Philip, marido da Rainha Isabel II, conseguiu dar. 

Num ápice, os canais nacionais deixaram para terceiro plano as vacinas, a pandemia, o desconfinamento e as reportagens em esplanadas. Se muitos telespectadores ficaram revoltados com a sentença provisória do político, por momentos puderam também respirar do sufoco que têm sido os noticiários, que embora muito ajudem a entender os perigos de uma doença, também muitas vezes exageram na cobertura e na própria forma como o fazem.

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