Opinião. Uma ‘Serra’ com mais altos do que baixos

‘A Serra’ estreou nos ecrãs da SIC, esta segunda-feira (22/02), e mostrou que a aposta num local específico do país volta a ser um bom ponto de partida para a história do costume. Foi assim, por exemplo, com ‘Nazaré’ ou com, por exemplo, ‘Ilha dos Amores’, da TVI.

Daniel Oliveira/Instagram

Sem grandes avanços ou recuos temporais, sem utilizar o já típico início com recurso a imagens de outros países, a nova aposta de Daniel Oliveira mostrou ter uma história mais densa e talvez pesada que ‘Amor, Amor’, mas que fica também longe de ser um dramalhão.

O ponto mais forte da estreia ficou, obviamente, a cargo de uma cuidadosa realização e de um recurso a imagens da Serra da Estrela de tirar o fôlego. Só aí, a novela bate aos pontos a concorrente ‘Bem Me Quer’, ambientada no mesmo local, e que apenas isso tem em comum.

Para já, Júlia Palha parece ser mais uma boa aposta, mesmo apesar da “pouca” experiência. Contudo, é impossível não destacar as prestações de Sofia Alves, que regressa à televisão em grande, e de Maria João Abreu.

Ainda assim, nem tudo foi perfeito. O recurso ao núcleo cómico logo no primeiro episódio tornou-o mais banal e retirou o foco ao núcleo central. A isso junta-se um romance ainda mais célere do que o habitual entre os protagonistas e uma ou outra situação que parece ser exagerada, quando o objetivo é retratar os dias que correm. Quanto ao resto, podemos também apontar o dedo a uma casa abandonada com acendalhas no interior ou uma jovem que faz farinha num moinho de água.

Voltando aos pontos fortes, o momento em que José Mata e Júlia Palha se envolvem é uma das mais bonitas cenas que uma novela proporcionou nos últimos tempos.

Em suma, ‘A Serra’ mostrou mais pontos altos do que baixos no primeiro episódio. A ficção da SIC voltou a mostrar-se forte, capaz de se reinventar e, neste caso, diria que a Serra da Estrela e zonas envolventes vão ter muito a ganhar. Só por isso, já valeu a pena.

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