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Dia Mundial da Televisão. Memórias de um rapaz de 30 anos

A 21 de novembro comemora-se o Dia Mundial da Televisão. A televisão, enquanto objeto, está morrer aos poucos e os canais tentam, ainda hoje, reinventar-se numa altuera em que, sobretudo os jovens, têm a sua atenção dominada pela Internet.

Dia Mundial da Televisão
Reprodução

Quando escolhi o nome para o A Caixa que já foi Mágica, pensei nos tempos em que tudo aquilo que passava naquele ecrã era mágico. Sobretudo nos anos 90, e claro nos anos anteriores, a televisão tinha magia porque o efeito novidade era verdadeiro e nós, enquanto espectadores, não fazíamos ideia de como tudo era feito. Este sábado (21/11), comemora-se o Dia Mundial da Televisão.

Em 2020 já foi tudo inventado. Aquilo que existe são várias nuances para algo que já foi criado. Além disso, a mística do “como é que fazem aquilo?” deixou de existir porque a informação é mais difundida, sobretudo nas redes sociais, e os próprios canais têm programas que mostram os “bastidores” de quase todos os seus produtos.

Nasci em 1989 e tenho na memória um sem número de momentos em que a televisão marcou a minha vida. Hoje escolho e relembro alguns dos programas que mais me marcaram nas mais variadas categorias.

Série

‘Médico de Família

Fotografia.: Gerardo Santos - Global Imagens
SIC

A série estreou na SIC em 1998. Fernando Luís, Rita Blanco, Francisco Garcia, Maria João Abreu, Henrique Mendes e Sara Norte protagonizaram a produção da Endemol, baseada num original espanhol. Seguida por uma média de cerca de dois milhões de espectadores, a história centrava-se na vida de um médico, viúvo, que tinha a seu cargo três filhos, um sobrinho e o pai. “Médico de Família” foi a série mais vista de sempre em Portugal.

Novela

‘A Indomada

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Reprodução Globo

A qualidade crescente das novelas portuguesas é inegável. Ainda assim, não é fácil fazer esquecer a qualidade das tramas brasileiras da gigante TV Globo, emitidas pela RTP1 e pela SIC.

Adquirida pelo canal de Carnaxide em 1997, “A Indomada” foi uma das histórias de maior sucesso em Portugal. Poucos são aqueles que viveram naquele ano e que não se lembram da figura de “Cadeirudo”, que atacava as mulheres em noite de lua cheia. No final, o segredo da personagem misteriosa foi revelado e soube-se que, afinal, a figura desajeitada era uma mulher.

A personagem principal era Eulália (Adriana Esteves) que se apaixona por Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli), mas os dois sofrem com a perseguição da família da jovem que não aceita a relação. Pedro Afonso (Cláudio Marzo), irmão de Eulália, ameaça Zé Leandro de morte. O rapaz é obrigado a fugir, mas promete voltar um dia. Eulália passa a viver em segredo e sempre a fugir do rancor do irmão e das maldades da cunhada Altiva (Eva Wilma).

Reality-show

‘Big Brother

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Divulgação

Apesar de recordar programas como “Survivor” (TVI) ou “Masterplan” (SIC), é impossível esquecer aquele foi o primeiro reality-show realizado em Portugal.

“Big Brother” trouxe Teresa Guilherme de novo à ribalta e deu a conhecer Zé Maria, o jovem de Barrancos que apaixonou os portugueses. Na SIC, o formato foi rejeitado e a TVI aproveitou a oportunidade. Foi o início do fim da liderança nas audiências para o a estação de Pinto Balsemão. A primeira edição do programa foi para o ar em 2000.

Talent-Show

‘Operação Triunfo

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Reprodução RTP

É um género de programa que me agrada especialmente e são muitos os formatos que caberiam nesta categoria. Contudo, a primeira “Operação Triunfo” marcou-me, de alguma forma, mais do que qualquer outro formato.

Também adaptado de uma ideia espanhola, o concurso descobriu novos talentos na música. A primeira edição foi apresentada por Catarina Furtado, em 2003.

Ainda hoje guardo alguns CD´s que eram lançados, semanalmente, com as músicas cantadas em cada gala.

Talk-Show

‘Herman SIC

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Divulgação

A minha admiração por Herman José começou aqui, no ‘Herman SIC’. O melhor humorista português protagonizou a maior transferência de sempre na televisão portuguesa, quando trocou a RTP pela SIC, em 1999. O programa contava com vários momentos de humor, música e entrevistas. Foi, durante muitos anos, o maior palco da televisão portuguesa, onde eram recebidas grandes figuras internacionais como Sting, Anastasia ou Elton John. 

Concurso

‘Quem Quer Ser Milionário?

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Reprodução RTP

Muitos programas cabiam nesta categoria, mas o ‘Quem Quer Ser Milionário?’ merece ser recordado. Foi um dos mais bem sucedidos formatos de perguntas de cultura geral em Portugal e em todo o Mundo. Vários foram os apresentadores do concurso, mas Carlos Cruz foi o primeiro.

A edição inaugural foi emitida em 2000, na RTP1.

Humor

‘Não Há Pai!’

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Reprodução SIC

Também aqui as escolhas podiam ser várias: desde ‘Malucos do Riso’, ‘A Loja do Camilo’ ou ‘Levanta-te e Ri’, mas ‘Não Há Pai!’ merece ser recordado. Foi um dos últimos formatos de ficção emitidos em direto e com público ao vivo. A sitcom foi também o último trabalho de Camacho Costa, que faleceu em 2003, e que marcou também o final da série de humor. 

Estreada em 2002, na SIC, os seus episódios giravam em torno da família Boavida.

Desenho Animados

‘Dragon Ball

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Divulgação

Foi um dos maiores sucesso dos anos 90 e, ainda hoje, a série japonesa é recordada e seguida por milhões de fãs. Portugal não foi exceção. Emitida originalmente pela SIC, as dobragens em português deram um cunho muito característico ao anime. A história de Son Goku começou a ser contada na língua de Camões em 1995.

Informação

‘Grande Reportagem SIC/VISÃO

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Divulgação

Em tempos, a ‘Grande Reportagem’ teve honras de horário nobre de domingo na SIC. Naquela época, os trabalhos jornalísticos era emitidos após o “Jornal da Noite” e chegaram a conseguir extraordinárias audiências, talvez impensáveis nos dias de hoje.

Em 2007, o canal exibiu o trabalho de Pedro Coelho, intitulado de ‘Rosa Brava’. A reportagem focava-se numa menina de 16 anos, natural da Serra da Estrela, que foi obrigada pelos pais a deixar a escola aos 14 anos. Rosa teve de ir pastar o gado da família.

Lembro-me de esta história me ter marcado ao ponto de me impulsionar a estudar jornalismo.

Internacional

‘Jogos Sem Fronteiras

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Divulgação

Ainda hoje faz parte do imaginário de muitos portugueses. ‘Jogos Sem Fronteiras’ relembra, automaticamente, Eládio Clímaco, também ligado aos comentários do ‘Festival Eurovisão da Canção’.

O formato eurovisivo juntava equipas de países europeus que participavam em várias provas de força, perícia e rapidez.

Um regresso à RTP chegou a ser pensado recentemente, mas acabou por não avançar. Portugal participou pela última vez em 1998 e iniciou as suas participações em 1981.

Por mais mudanças que existam, a caixa que mudou o mundo continua a fazer parte da vida de muita gente e, por isso, faz todo o sentido que existe o Dia Mundial da Televisão.

Nota: Este artigo foi escrito em 2018.

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