Opinião. Filomena e a virtude de saber que chegou o fim

Filomena Cautela
Fotografia.: Facebook Filomena Cautela

Filomena Cautela despediu-se do ‘5 Para a Meia-Noite’ na semana que passou, sem uma audiência que tivesse feito corar os canais privados.

A apresentadora abandonou o programa afirmando que aquele formato não era seu, numa tentativa de dar continuidade ao que aí vem. Mas será que o que aí vem continua a fazer sentido?

A profissional percebeu antes da RTP que existe um claro desgaste e que, neste caso, é melhor abandonar o barco enquanto ele ainda não foi ao fundo. O “5” é, sem dúvida nenhuma, o espaço de maior liberdade da televisão portuguesa, onde muitos profissionais e novos rostos encontram um espaço para dar asas à criatividade. Contudo, é preciso saber parar para pensar.

O talk show devia fazer uma pausa, durante um período de tempo mais alargado, para se recriar e deixar saudades. Já quanto a Filomena, fez o que devia ter feito. Partiu para outros voos, está com uma excelente prestação no ‘Quem Quer Ser Milionário?’, além de estar a pouco passos de se tornar no rosto mais importante da estação pública.

A vez da Inês?

É impossível escrever sobre o ‘5 Para a Meia-Noite’ sem tocar no nome de Inês Lopes Gonçalves. Foi uma extraordinária profissional, que soube sempre, mas sempre, deixar o protagonismo para a colega. Com isso, ganhou confiança e foi cativando o seu espaço. 

O seu empenho e poder de comunicação mereciam que o canal do Estado lhe desse, agora sim, o papel principal no programa das quintas-feiras. Ainda assim, talvez não tenha ainda a exposição necessária para assumir o primeiro plano a que se junta, com toda a certeza, a injustiça de substituir alguém tão marcante como foi Cautela.

Este artigo foi escrito por Tiago Lourenço, autor do A Caixa que já foi Mágica, e originalmente publicado pelo site Espalha-Factos.

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