Opinião| ‘Quer o Destino’ que eu não caia no destino

Quer o Destino Sara Barradas
Fotografia.: Instagram Quer o Destino

‘Quer o Destino’ chegou à TVI com a missão de subir as audiências da estação em horário nobre e, pelo menos na estreia, conseguiu.

A novela é uma adaptação de um original chileno de nome ‘Amanda’, de 2016. Bastou-me ver um trailer de menos de dois minutos para entender o quão mal adaptada foi a história pelo canal nacional.

O tema “vingança” já foi sobejamente explorado por várias novelas, dentro e fora de Portugal. Portanto, qualquer semelhança com qualquer outra produção é muito normal. Mas prefiro não ir por aí.

O problema está na forma como a novela está contada, pelo menos no primeiro episódio. ‘Quer o Destino’ começa com Sara Barradas (Vitória), a protagonista, a explicar que o que lhe fizeram no passado lhe marca o presente e que, por isso, já não é capaz de amar. Ora, é um bom início, se tudo o que veio a seguir não tivesse sido pobre e sem lógica.

Vitória estava no carro de uma mulher doente. A viatura é conduzida pelo filho da mesma. A jovem sai do carro a correr e salta para dentro de um rio, depois de ver um homem lançar à água aquilo que se pensa ser cães.
Dá-se o salvamento e, dentro de uma saca de serapilheira, saem dois cachorros que nem molhados estão. Pormenores!

E de que é que serviu esse momento? De nada!

Tempo de mais para conhecer o passado

Foram precisos esperar mais de 30 minutos para, finalmente, entender o porquê de uma vingança. Esperavam-se imagens fortes, capazes de fazer entender o público de tamanha revolta por parte da protagonista. Mas nada. Uma miúda e quatro rapazes aos gritos e meia dúzia de planos confusos que não permitiram perceber com clareza o que se passou.

Depois, há um caseiro da quinta da família rica que descobre que Vitória é, afinal, Margarida, com a ajuda de um cão. Percebe-se que houve uma relação, mas não houve uma única imagem desse amor vivido pelos dois. Torna-se, por isso, ainda mais difícil entrar na história.

De relevante, não se passou mais nada. O público ficou a saber que cada um dos quatro irmãos, e não só, têm os seus podres e que vão ser descobertos pela protagonista ao longo da novela.

O elenco é mais do mesmo, mas há que salientar o bom regresso de Sara Barradas e as ótimas contratações e Ana Bustorff e Marina Mota. Já agora, era importante que Pedro Teixeira deixasse as novelas, mesmo sendo um dos únicos a desempenhar um bom papel. Contudo, o facto de estar tão presente na TVI enquanto apresentador não torna fácil aceitá-lo e pensá-lo como sendo outra pessoa.

No geral, ‘Quer o Destino’ não traz nada de novo. É uma má adaptação e uma versão do tema “vingança” muitíssimo mal explorado.
Já muitos de nós vimos tudo aquilo e com maior qualidade.
Estando a perder nas audiências, a TVI podia ter apostado tudo e com inovação, mas preferiu jogar pelo seguro.
Não acredito é que o seguro chegue nesta altura.

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