Zé Lopes: “A Cristina Ferreira abriu-me as portas do sonho”

Zé Lopes
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

Chama-se José, mas gosta de ser tratado por Zé, Zé Lopes. Aos 22 anos é uma das figuras do programa de maior audiência da televisão portuguesa. Em ‘O Programa da Cristina’ ganhou espaço e surge agora regularmente no ecrã.

Natural de Felgueiras, estudou Comunicação Social em Coimbra e estagiou na TVI antes de ingressar no formato da SIC.

Em entrevista ao A Caixa que já foi Mágica, Zé fala do quão agradecido é a Cristina Ferreira e defende-a das críticas quanto à sua exigência no trabalho. O jornalista confessa ainda que tem dificuldade em digerir as histórias difíceis que passam pelo programa e como elas o transformaram.

Zé Lopes comenta também uma possível substituição de Cláudio Ramos, que se mudou para a TVI recentemente. O profissional revela ainda como conseguiu fazer parte da produção do ‘Você na TV’ e, posteriormente, do programa das manhãs da SIC.

Zé Lopes e Manuel Luís Goucha
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

A Caixa que já foi Mágica.: Como é que chegou ao ‘Você na TV!’ e ao ‘Programa da Cristina’?

Zé Lopes.: Eu escolhi licenciar-me em Comunicação Social, na escola superior de educação de Coimbra, uma vez que tinha uma vertente bastante prática. No terceiro e último ano, era-nos dada a possibilidade de estagiar num órgão de comunicação à escolha. Da lista de alternativas de estágios que me foi apresentada, escolhi a produção do programa ‘Alô Portugal’, mas não fui selecionado na entrevista presencial.
Na altura equacionei se deveria ou não continuar a tentar um estágio em televisão, mas propus, de forma autónoma, um estágio na TVI. Fui eu, com auxílio dos meus professores, que tratei das questões burocráticas, fui a uma entrevista, e indicaram-me que poderia estagiar no ‘Você na TV!’.
Comecei por integrar a equipa de produção do programa durante um mês, mas rapidamente percebi que era na equipa de conteúdos que me sentia realizado e solicitei essa alteração. No total, estive seis meses na TVI. Aprendi muito, cresci pessoal e profissionalmente, fiz o melhor que sabia e vesti a camisola do programa a 100%.
Quando terminei o estágio, em outubro de 2018, não surgiu uma oportunidade para ficar a trabalhar no canal. Um dia, em novembro de 2018, a Cristina contactou-me e fez-me o delicioso convite de trabalhar com ela n’ ‘O Programa da Cristina’. Ela abriu-me as portas do sonho! Tenho uma dívida de gratidão para com ela para o resto da vida!

Zé Lopes
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

ACQJFM.: O que é que um jovem que trabalha num programa de televisão líder de audiências, nas manhãs, e com a apresentadora mais influente do momento, espera do futuro profissional?

ZL.: Tenho muitos sonhos por realizar, mas sou totalmente consciente das minhas limitações, dos anticorpos que gera a minha personalidade vincada e do quanto terei de trabalhar para conseguir concretizar tudo o que pretendo. Estou numa fase de aprendizagem constante e, francamente, acho que não podia ter melhor escola do que aquela que tenho.
Um dia, num futuro distante, gostaria de apresentar um programa, mas prefiro esperar e preparar-me para fazer um trabalho com qualidade a longo prazo. Por enquanto, estou muito focado em fazer bem o meu trabalho e em não defraudar as expectativas que os responsáveis do programa colocam em mim diariamente.

ACQJFM.: Qual foi o momento mais difícil que viveu no programa? Porquê?

JL.: O mais difícil nos programas de daytime são as histórias difíceis que recebemos e as realidades tão diferentes que existem, sem que nós as conheçamos.
Desde que estou no programa, aprendi a desvalorizar muito as dificuldades que aparecem na minha vida, porque existem pessoas em situações muito piores que a minha.
Confesso que não consigo “desligar” do programa quando saio da redação. Talvez por ser muito novo, ainda fico muito afetado com algumas histórias, como por exemplo a bailarina Carolina Gil, para quem a vida não foi, de todo, justa.
É certo que tratamos todas as histórias com o maior dos cuidados e que somos o colo que as pessoas precisam muitas das vezes, mas é difícil calcular o sofrimento que sentem. Sempre que os meus convidados chegam ao programa, vou ter com eles ao camarim para os conhecer e acalmar os nervos que sentem. Abraço-os e tento transmitir-lhes boa energia. Acho que isso também faz parte da minha função.

Zé Lopes, Cristina Ferreira e Cláudio Ramos
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

ACQJFM.: Alguma imprensa avançou que o Zé é o substituto do Cláudio Ramos. É mesmo assim ou a saída do apresentador abriu apenas espaços para outros profissionais surgirem mais vezes no ecrã?

JL.:Essa ideia de na televisão terem de haver substitutos, para mim, não tem cabimento nenhum. Aliás, recentemente numa entrevista que o Daniel Oliveira deu, explicou que a solução passa por alargar a vizinhança e continuar a fazer um programa com qualidade. Eu continuo cá, focado em trazer boas histórias ao programa e em entreter os telespectadores. Essa é uma premissa bem assente na minha cabeça: trabalho num programa que tem de entreter, de envolver as pessoas nas histórias, de fazer companhia.

ACQJFM.: A “busca da perfeição” por parte da Cristina torna-a tão dura no trabalho como dizem?

JL.: Eu sou suspeito para falar. Primeiro porque gosto muito da Cristina e depois porque também sou muito perfecionista no meu trabalho. Muitos entendem essa “busca da perfeição” como um defeito, mas para mim é uma qualidade.
Se estamos a trabalhar para um público que diariamente nos prova que confia no nosso trabalho, acho que é perfeitamente normal que queiramos fazer um trabalho com o máximo de qualidade possível.
Sinceramente, estou com a Cristina há quase dois anos e ainda não a vi a ser dura. Ando com sorte (risos).

ze lopes, cristina ferreira e joana barrios
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

ACQJFM.: Sente-se a pressão de manter a liderança das audiências nos bastidores?

JL.: Acho um bocadinho hipócrita quando dizem que as audiências não têm importância. É claro que as audiências importam e claro que toda a gente pretende ganhar, até porque os resultados são a prova de que o público está connosco e gosta daquilo que temos para apresentar. Mas não trabalho focado nas audiências, nem sinto essa pressão. A única pressão que o facto do programa estar a ganhar me dá, é a de não querer desiludir o público. 

ACQJFM.: Uma vez que trabalhou nos dois formatos, porque é que ‘O Programa da Cristina’ conseguiu retirar a liderança das audiências ao ‘Você na TV!’?

JL.: A Cristina tem uma visão muito singular da televisão e a capacidade de conhecer o público melhor que ninguém. Já existem programas de daytime há muitos anos e muitas das histórias que recebemos já tiveram lugar em outros programas. Claro que mudam os protagonistas, mas as histórias em si, são semelhantes.
O que muda é o embrulho que lhes conseguimos dar e a forma como as conseguimos apresentar. Depois, temos uma vantagem muito grande: temos uma apresentadora bastante empática, e que transmite confiança aos convidados. Acho que foi exatamente isso que fez com que o ‘Programa da Cristina’ tenha retirado essa liderança ao programa concorrente, até porque grande parte dos conteúdos do ‘Você na TV’ também eram pensados por ela. Ainda assim, seria ingrato não referir que aprendi muito na TVI e que fiz lá grandes amigos, que ainda hoje mantenho.

Zé Lopes e Cristina Ferreira
Fotografia.: Instagram Zé Lopes

ACQJFM.: O que significa a Cristina Ferreira na sua vida?

JL.: Atualmente, muito mais que minha patroa, a Cristina é minha amiga. Profissionalmente, é a pessoa mais importante para mim, sem dúvida. É a minha referência a todos os níveis. Ela deu-me a oportunidade de estar num emprego que me faz acordar todos os dias feliz e motivado e isso não tem preço.
Pessoalmente, ela também já me deu provas de que está do meu lado quando mais preciso, disposta a ouvir-me e a aconselhar-me. A Cristina é muito generosa e isso é tão bom.

ACQJFM.: Que preparação faz sempre que participa no comentário ao “mundo cor-de-rosa”? Sente total liberdade ou é necessário algum cuidado adicional?

JL.:A minha principal preparação é não “invadir” em demasia a vida das pessoas, nem dar notícias falsas. É claro que eu sou muito opinativo e dou o meu ponto de vista sobre as notícias, sem filtros, mas tenho o cuidado de não ofender ninguém. Acho muito nobre o trabalho de quem comenta a imprensa cor-de-rosa, seja num programa diário, numa ‘Passadeira Vermelha’ ou num ‘Flash Vida’. Afinal de contas, desde que se respeitem os intervenientes das notícias, o trabalho dos comentadores é o de entreter o público. É como se tivessem numa mesa de café a comentar diversos assuntos, e, sejamos francos, toda a gente faz isso.

ACQJFM.: Que conselho daria a todos os que estudam ou estudaram comunicação ou jornalismo e querem exercer a profissão?

JL.: Diria para não desistirem dos sonhos e para não deixarem que ninguém os desvie deles. Seja na comunicação de empresas, na imprensa escrita, na rádio, ou na televisão, só posso aconselhar que tentem fazer sempre o melhor que saibam e que tenham a humildade de saber ouvir e aprender.

ACQJFM.: A televisão ainda é a “caixa mágica”?

JL.:Acho que a magia da televisão ainda existe, sim. E espero que nunca se perca! E que privilegiado sou por pertencer a este universo que tão feliz me faz.
Claro que depois a televisão também tem a parte negativa que são os comentários destrutivos de algumas pessoas e a necessidade de magoar. Isso ainda me afeta muito, não vou negar, mas colocando tudo numa balança, acho que as coisas boas que a televisão me trouxe e o carinho de quem gosta realmente de mim, prevalece face às coisas menos boas.

%d bloggers like this: