Opinião| O festival alternativo e o predomínio da diferença

Fotografia.: Instagram Festival da Canção

O ‘Festival da Canção 2020’ foi para o ar no sábado (07/03), dia em que a RTP comemorou mais um aniversário.

O espetáculo foi emitido a partir de Elvas e o que de melhor apresentou, nada teve a ver com as canções a concurso e, só isso, já diz tudo.

O canal público iludiu-se com ‘Amar Pelos Dois’ e está, cada vez mais, a afastar-se do meio termo. É que o festival deste ano teve a concurso, na sua maioria, cantores e canções ditas alternativas.
Ele, o festival, que já foi popular e até popularucho, agora não é nenhum dos dois e não se entende bem a quem se destina.
A grande maioria do público mais velho e que ainda recorda o certame do antigamente não deverá entender as escolhas musicais e o público mais jovem também não se deve sentir atraído pela maioria das músicas.

Se um dia Salvador Sobral chamou a atenção do público com a sua diferença, é porque ainda estavam a concorrer géneros musicais mais apelativos ao grande público, às massas. Em 2020, só houve diferença com diferença e isso afasta muitos do interesse.

Mais uma vez, o melhor do ‘Festival da Canção’ foi a abertura, apesar de pior que a do ano passado. Filomena Cautela, Vasco Palmeirim e Inês Lopes Gonçalves mostraram como se faz televisão em grande escala e com graça. Mostraram como recordar o passado não precisa de ser enfadonho.

No final, venceu Elisa, com ‘Medo de Sentir’, numa incrível junção da pontuação do júri e do voto do público, na qual não venceu nem numa, nem noutra. Mesmo assim, ganhou a melhor canção, a melhor letra e a melhor interpretação. É a melhor música para representar Portugal na Eurovisão? Não, mas não havia melhor.

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