Joacine Katar Moreira, a Lady Gaga

Fotografia.: João de Matos/TVI
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Joacine Katar Moreira é candidata do partido Livre às legislativas 2019 e esteve, esta quarta-feira, no “Gente que Não Sabe Estar”.

A cabeça de lista por Lisboa é gaga, algo pouco habitual na política e muito menos na televisão. A presença no programa humorístico de Ricardo Araújo Pereira causou-me estranheza e algum embaraço. Foi difícil acompanhar o discurso da candidata nos primeiros minutos. Foi difícil porque não não me lembro de haver espaço para alguém com este problema em televisão e muito menos em horário nobre.

Se fosse habitual, nem eu nem ninguém que acompanhou a entrevista estaria hoje a comentar a presença de uma mulher gaga num programa televisivo.

A maior coragem é a da Joacine, que não tem vergonha do seu “defeito”, mas o grande aplauso vai para Ricardo Araújo Pereira e para a TVI. Foi num programa de humor de um canal privado que uma mulher, negra e gaga teve tempo de antena. E que triste é ter de, ainda hoje, enumerar estas três características.

Um aplauso maior ainda para o humorista que em momento algum precipitou uma resposta da candidata.

Ainda hoje me ri ao rever Joacine, como muitos terão rido. Não me culpo por isso, porque não me centrei apenas na forma do discurso. Centrei-me também no conteúdo. Licenciada em História Moderna e Contemporânea, teve as respostas mais interessantes e importantes sobre a sociedade do que muitos políticos que passaram pelo formato nos últimos dias.

A natural da Guiné-Bissau começou a entrevista, e bem, com a seguinte frase: “Eu gaguejo quando falo, não gaguejo quando penso. O que é um risco enorme na Assembleia são os indivíduos que estão lá e que gaguejam quando pensam.”.

Joacine mereceu o destaque e Ricardo Araújo Pereira merece ser enaltecido por ter rompido com todos os padrões. No fundo, são gente que sabe estar.

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