Paula Velez.: “Ninguém vive com o dinheiro da figuração”

Manuel Luís Goucha com Paula Velez

O público é parte integrante da grande maioria dos programas de televisão. Sem ele, muitos dos formatos não teriam, provavelmente, a mesma emoção. Manuel Luís Goucha já defendeu publicamente os figurantes afirmando que são mal pagos.

Paula Velez foi educadora de infância durante 20 anos. Em 2012 esteve, pela primeira vez, no “Você na TV”, da TVI, e não mais largou o formato. Nos primeiros sete anos não recebeu um euro pela sua presença no talk-show, algo que mudou no início deste ano.

A fã da dupla Goucha/Cristina fala sobre a sua amizade com apresentador das manhãs de Queluz de Baixo e do ambiente que se vive no programa desde que começou a perder nas audiências para a SIC.

Admite que faz figuração por gosto e que não é possível viver-se da profissão. Paula dedica-se ao negócio dos doces, mais propriamente das gomas.

Ao Ficha Técnica faz várias revelações sobre os bastidores da televisão e enumera os vários formatos por onde passou.

Paula Velez na entrada para os estúdios

Como começou a fazer figuração em televisão?

A primeira vez que estive no “Você na TV” foi em abril de 2012. Na época podíamos mandar beijos para casa. Eu mandei para a minha cadela Luna e foi esse o primeiro momento de empatia entre mim, o Manuel Luís Goucha e a Cristina Ferreira. Foram quase sete anos de programa como convidada, nunca recebi um tostão. O que me movia era o carinho e a amizade pelos apresentadores.

Em janeiro, com o novo conceito do programa, a figuração tem de pertencer à Plural e tem de ser paga. Eu tenho o privilégio de estar naquela plateia.

Durante estes anos acompanhei galas do “A Tua Cara Não Me É Estranha”, do “Apanha Se Puderes”, do “Secret Story” e do “Dança Com As Estrelas”.

É possível viver apenas com o dinheiro ganho enquanto figurante?

Ninguém vive com o dinheiro da figuração. A maioria dos figurantes são senhoras reformadas ou pessoas que tem outra atividade. Pessoalmente nunca recebi dinheiro, mas a partir de janeiro deste ano as regras mudaram. Tenho outra atividade, mas vou continuar até me quererem lá.

Quais são as maiores dificuldades da profissão? As horas de espera, por exemplo?

Os programas em direto não têm momentos mortos, já as gravações são mais duras. É preciso ter paciência e estar ali para ajudar a que tudo corra bem. Um público animado faz toda a diferença. 

Fotografia.: Instagram Você na TV

Como são os bastidores do “Você na TV”?

O “Você na TV” é uma festa. Adoro o Manuel Luís Goucha e tenho por ele o maior carinho do mundo. A pior coisa é ler disparates, mentiras e maldades. Para se dizer bem de alguém não é preciso dizer mal de outra.

A Cristina Ferreira e o Manuel foram uma dupla que nunca mais se repetirá. Vou gostar para sempre dos dois.

Por outro lado, a Maria Cerqueira Gomes é uma simpatia. Trabalha muito bem e fá-lo de forma exemplar. Não merece nem metade do que se escreve.

A televisão consegue passar a mesma emoção para o público que está em casa?

Acredito que sim. Já chorei ali ao vivo no dia que vi partir uma colega, já ri até a barriga doer com as picardias do Goucha com a D. Manuela e já me emocionei a sério com um telefonema de um menino autista para o Manuel.

Fotografia.: Instagram Você na TV

Lembra-se de alguma situação engraçada que tivesse acontecido no seu percurso na televisão?

Ainda hoje me divirto com o momento em que a Cinha Jardim caiu em direto.

Sente-se nos corredores do program o peso do segundo lugar nas audiências ou a alegria é a mesma de quando o programa liderava?

O programa está diferente sem a Cristina. Eu era daquelas que achava que a dupla nunca acabaria, mas acabou.

O Goucha é realmente genuíno naquilo que faz. É culto, inteligente e prepara tudo muito bem. Ele é feliz em tudo o que faz. Não podia ser de outra maneira e nem ele se permitia a estar a fazer o que não gosta. Ele tem a consciência de que dá tudo o que tem e se as audiências não são aquilo que eram é porque do outro lado está a Cristina.

Como é Manuel Luís Goucha quando as câmaras desligam?

É das pessoas que mais gosto na vida. Adoro os intervalos do programa porque é aí que ele conversa com o público. Com os anos tenho percebido que ele é um ser iluminado pela vida, grato a tudo o que ela lhe reservou. É generoso, amigo e uma excelente companhia.

Não perde tempo com o mal nem com a hipocrisia e é nisso que me identifico com ele. Quando diz que vai de férias fico logo com saudades.

É único.

Sente que Maria Cerqueira Gomes já se adaptou ao formato?

Não podia ser outra pessoa a ir para o “Você na TV”.

Trabalha muito bem, tímida no início mas quem não se sentiria assim? É simples e não se deslumbrou com o lugar. Trabalha todos os dias e é grata ao público que a apoia. Cumprimenta com um beijinho e dá um abraço bom.

Paula Velez nas gravações do “A Tua Cara Não Me É Estranha”, da TVI

A televisão ainda é a “caixa mágica”?

Se é. É um privilégio estar num estúdio ao vivo e isso não há dinheiro que pague. Vivo numa aldeia de Torres Vedras e sabe bem sair cedinho até à “cidade” todas as semanas. As estrelas são eles, os apresentadores. Que ninguém se deslumbre porque aparece na televisão. Fazemos parte de um programa sim, mas porque eles existem.

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