Tiago Góes Ferreira.: “Nem sempre os programas para grandes massas são sinónimo de qualidade”

Fotografia.: Instagram Tiago Góes Ferreira

Tiago Góes Ferreira deu os primeiros passos na televisão na RTP Madeira. Mais tarde, participou num casting para o programa “Curto Circuito”, da SIC Readical, mas não foi selecionado. Seguiu-se o trabalho de repórter no “A Praça da Alegria”, no extinto “Portugal no Coração”, passando também pelo “Verão Total”.

Em 2018, juntou-se a Hélder Reis na apresentação do “Notícias do Meu País”, no qual correu mundo na descoberta de portugueses. Atualmente faz trabalho de reportagem no “A Nossa Tarde”.

Em entrevista faz várias revelações sobre o percurso profissional e explica a importância da RTP Madeira para aqueles que vivem na ilha de onde é natural. Tiago desvenda ainda que género de formato gostava de apresentar.

Por agora, está de corpo e alma no novo programa de Tânia Ribas de Oliveira.

A Caixa que já foi Mágica.: O “A Nossa Tarde” é o seu novo desafio. Em que difere este novo trabalho dos restantes de que já fez parte?

Tiago Góes Ferreira.: Trata-se de um daytime num horário semelhante ao de projetos anteriores. Todavia, desde o seu arranque, ainda na fase de pré-produção, a nossa vontade era mudar a estética das reportagens, das próprias entrevistas, aprofundando mais os temas sem parecer pretensioso. Procurávamos um tom mais emotivo e documental. A ideia é contar e não tanto reportar.

ACQJFM.: O trabalho de repórter é aquilo que mais o alicia em televisão? Gosta do contato com o público?

TGF.: É mesmo! E até nas funções de apresentador adoro os exteriores. Sentimos o pulso do país, a genuinidade e singularidade das pessoas, dos locais e das tradições. Eu próprio, em lazer, adoro viajar pelas terrinhas e meter conversa com as pessoas, receber e mandar aquela piadola, o trocadilho castiço, a história mais inusitada. Diverte-me muito mesmo.

ACQJFM.: Em direto há situações incontroláveis e imprevistas, sobretudo quando se está no exterior. Recorda-se de alguma situação mais complicada?

TGF.: Tantas. Assim de repente já caí quando resolvi saltar de um camião. Já tive de aguentar 15 minutos no ar a “encher chouriços” , “sem rede”, porque do outro lado estávamos com problemas técnicos. Já fiquei várias vezes com o carro atolado. Já estive um minuto no ar sem conseguir parar de rir e até já peguei na câmara para ajudar um colega meu. Mas os diretos e as reportagens têm piada por isto mesmo. São espontâneos, inesperados, surpreendentes e, claro, consequentemente engraçados.

Fotografia.: Instagram Tiago Góes Ferreira

ACQJFM.: Como foi encontrar portugueses que vivem fora do país quando gravou o “Notícias do meu país”? Gostava de repetir a experiência?

TGF.: Foi dos meus trabalhos mais marcantes. Inesquecível pela dimensão humana, emotiva, pela forma como fomos recebidos, pelas histórias, quase todas cinematográficas, pelas dificuldades e pela aprendizagem. Sim, adorava repetir. É um programa que consegue personificar e homenagear a palavra saudade.

ACQJFM.: Quando se trabalha para a televisão fora de Portugal, que tipo de dificuldades se encontram? Há entraves das autoridades ou a nível governamental, por exemplo?

TGF.: São tantas que é difícil enumerar. Posso destacar as intermináveis horas nas alfândegas por causa da inspeção ao material, os fusos horários, a carga de trabalho que, ao contrário do que muitos pensam, trabalhamos a mil e raramente dá para passear e quando dá estamos de rastos. Além disso, há as culturas que são diferentes e os perigos que advêm relacionados com o desconhecimento dos locais.

ACQJFM.: Em 2012 afirmou que as audiências eram “irreais” e que não o preocupavam. A opinião continua a ser a mesma? Porquê?

TGF.: Já nem me lembrava disso. Talvez os anos me tenham feito mudar de opinião. Trabalhamos para o público. Se o público não está connosco é sinal que algo não está bem. Agora isso não significa que soframos com a ditadura da liderança das audiências. Podemos não ser os primeiros mas estarmos a realizar um formato que serve e enriquece muita gente. Os públicos são diferentes e nem sempre os programas para as grandes massas são sinónimo de qualidade.

Fotografia.: Instagram Tiago Góes Ferreira

ACQJFM.: A RTP Madeira foi a sua primeira “casa”. Que importância tem o canal para os madeirenses?

TGF.: Tremenda! A insularidade continua a ser um obstáculo para muitos madeirenses especialmente nas áreas da cultura e das artes. Atenção que não deve servir de desculpa para desacelerar, mas interfere.

A RTP Madeira dá voz a esses projetos e muitas vezes é a única forma de ganharem uma dimensão regional e ocasionalmente até nacional.

Para mim, devo tudo. Foi uma enorme escola. É uma casa onde conheci grandes profissionais, apaixonados por esta “caixinha mágica”, como eu e, acima de tudo, grandes amigos. Não imagino fazer televisão de outra forma. Passamos tanto tempo na estrada. Abdicamos de tanto a nível pessoal que só concebo fazê-la assim: com paixão e entre amigos.

ACQJFM.: Gostava de apresentar que género de programa? O que é que seria um verdadeiro desafio para si?

TGF.: Gostava de repetir alguns que já fiz. Mais formatos no exterior e de experimentar algo à noite. Concursos, talent show. Envolve sempre grandes produções e isso fascina-me por dar adrenalina televisiva.

ACQJFM.: A televisão ainda é a “caixa mágica”?

TGF.: Hoje em dia o segredo é ser cada vez mais fora da caixa.

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