Inês Folque: “Aceitava voltar aos “Morangos com Açúcar””

Inês Folque
Fotografia.: GLAM

Inês Folque esteve na televisão antes, mas foi a personagem Rita Moreira, em “Morangos com Açúcar”, que a tornou conhecida do grande público. Seguiram-se outros desafios até se tornar apresentadora de um programa na SIC K. “Factor K”, admite, deixa-lhe saudades até porque foi a sua rampa de lançamento no entrenimento, uma área que confessa querer explorar. Atualmente, apresenta o “Questão de Tempo, da SIC Caras, um formato de entrevistas que está a ser um verdadeiro desafio.

A Caixa que já foi Mágica.: Como tem sido o desafio de apresentar o “Questão de Tempo”?

Inês Folque.: Tem sido um grande desafio, mas o balanço que faço é muito positivo.

Quase a fazer um ano de programa, sinto-me muito feliz por estar à frente deste projecto. No geral os convidados têm sido muito generosos com histórias muito giras e sobretudo o programa tem sido pautado por muito boa disposição. É um formato de proximidade com o público, uma vez que os espectadores se poderão rever nas questões que apresento aos convidados. Questões que têm a ver com trivialidades da vida, lugares comuns, escolhas diárias, rotinas e gostos pessoais. É um programa leve, bem disposto e a pensar em toda a família.

Na verdade é um espaço onde os convidados podem ser o que quiserem, não há respostas certas, não é polémico, tem dinâmica e pretende mostrar um lado intimista do convidado.

ACQJFM.: Recentemente o programa passou a ser emitido nas manhãs de fim-de-semana da SIC generalista. Sente-o como uma recompensa? Há alguma responsabilidade acrescida?

I.F.: Encaro todos os desafios com o mesmo empenho e profissionalismo. Para mim é realmente importante fazer sempre o melhor trabalho possível.

No caso do “Questão de Tempo”, as condições de trabalho nem sempre são as perfeitas para conseguirmos o resultado desejado. É um programa sem cortes, sem edição, o plano é em movimento e muitas das vezes os espaços onde gravamos não têm a melhor logística para nos movimentarmos bem.

Estar na generalista não me traz mais responsabilidade que estar apenas na SIC Caras. Encaro o projeto da mesma forma e o meu compromisso e dedicação são os mesmos. De qualquer forma, fico muito feliz que o programa esteja a ser transmitido noutro canal e noutro horário, podendo assim chegar a mais público.

ACQJFM.: Qual foi a pessoa mais difícil de entrevistar?

I.F.: (Risos) Confesso que ainda não tinha parado para pensar e assumir isso. Mais do que os convidados que já tivemos, alguns programas foram dificeís pelas circunstâncias: barulho e interrupções inesperadas.

Analisando à lupa, o meu convidado mais difícil de entrevistar foi o António Fagundes. Apesar de ser espetacular enquanto pessoa e ter sido de uma generosidade enorme, eu estava bastante nervosa e a querer não mostrar esse nervosismo. Sabia que tinhamos uma hipótese para correr bem, mas que não podiamos falhar.

Felizmente conseguimos fazer o programa sem problemas.

ACQJFM.: “Factor K” ou o “E-Especial” fazem parte do seu currículo. Que género de formato sonha apresentar?

I.F.: O Factor K foi, sem dúvida, a minha verdadeira escola na apresentação. Foram mais de sete anos a explorar temas muito diversificados e foi aí que vivi a reportagem no verdadeiro sentido da palavra. Entrevistei pessoas tão diferentes como crianças ou pessoas com cargos de topo.

Quando penso no “Factor K” lembro-me de um recreio, um recreio cheio de temas diferentes e foi um projeto muito especial. O programa tornou-me na apresentadora que sou hoje, mas também porque trabalhei com pessoas muito especiais e que me ensinaram imenso. Era sobretudo um magazine cultural e confesso que tenho algumas saudades de o fazer.

Já o “E-Especial” foi um salto muito bom no meu percurso profissional, que me deu uma grande “estaleca”. Houve semanas em que um dia estava no Algarve e no dia seguinte no Porto. Foram algumas noites mal dormidas. Coloquei-me à prova em todos os sentidos, mas compensou todos os minutos, todas as reportagens, todas as conversas e todas as experiências. Provavelmente foi esse programa que me deu a base para arrancar com o “Questão de Tempo”.

Tenho ainda muitos sonhos na apresentação, sou genuinamente feliz a apresentar programas, pelo que é dificil para mim responder a essa pergunta num todo. Não ignorando outros formatos, gostava mesmo muito de um dia apresentar um concurso de talentos, ou um concurso de cultura geral.

ACQJFM.: A grande maioria do seus programas pertencem aos canais pagos. Sente a pressão das audiências ou isso é algo que acontece mais na televisão generalista

I.F.: A pressão das audiências é real em todos os canais. É claro que nos canais pagos é muito mais difícil ter um resultado absolutamente fidedigno da opinião real do público.

Em Portugal ainda existe muita gente que tem apenas acesso aos quatro canais generalistas. Tenho consciência que no Cabo não tenho a mesma janela de oportunidade que se tem na generalista, pelo que todas as vitórias têm também um sabor mais especial.

Confesso que o que me move nos projetos de que faço parte, mais do que os resultados das audiências, é a qualidade dos mesmos. Deitar-me ao fim do dia com a certeza de que dei o meu melhor e de que não poderia ter feito mais.

O público está cada vez mais exigente. Quer decidir o que vai ver e a que horas, já não há espaço para erros nos dias que correm e, apesar de tentar não me mover pelas audiências, assumo que é impossível trabalhar em televisão sem lhes dar a devida importância, afinal de contas os canais de televisão são empresas que têm também de apresentar resultados.

ACQJFM.: Está afastada das novelas desde “Jardins Proíbidos 2”, emitida em 2014. A representação está colocada de parte?

I.F.: Não tenho tido projetos na representação desde 2014, é verdade, não surgiu ainda o projeto para isso voltar a acontecer, mas confesso que nos últimos anos, antes de arrancar com o meu programa atual, era impossível conciliar as gravações de uma novela com o meu trabalho na apresentação. No entanto, não fechei a porta à representação e quando surgir o projeto certo cá estarei para o abraçar, embora tenha consciência que em Portugal é muito difícil combater o estereótipo “apresentador/ator”

Por cá, ainda há muita dificuldade em aceitar que um ator pode ser um bom apresentador e vice versa, pelo que quando estamos a fazer um percurso na apresentação normalmente ficamos de fora da equação do mercado de atores.

ACQJFM.: A TVI anunciou o regresso dos “Morangos com Açúcar” para este ano. Gostava de voltar a participar na série?

I.F.: Guardo a série VII de “Morangos com Açucar” num lugar muito especial. Foi o meu primeiro projeto mais longo em televisão, foi onde tudo começou. Já estou longe dessa Inês que viveu a controversa Rita Moreira. Faz este ano dez anos dessa minha participação, mas ainda hoje tenho boas recordações desses tempos.

Os “Morangos” foram uma experiência muito especial, uma porta de entrada para o mundo da televisão e deu-me muito gozo fazer parte da sua história. Se me fizessem o convite para integrar o regresso da série, aceitaria.

ACQJFM.: A televisão ainda é a “caixa mágica”?

I.F.: A televisão é e será sempre a eterna “caixa mágia”É onde me sinto feliz. Nasci numa geração que fala a linguagem da televisão, nos últimos tempos tenho saltado para alguns projetos digitais, tenho apostado sobretudo no Instagram, o qual utilizo como ferramenta de trabalho, e também para contato direto com o público. Em geral, tem sido uma óptima descoberta.

Tenho consciência de que o digital, cada vez mais, reflcte as tendências actuais, mas a magia da “caixa mágica” ninguém poderá fazer desaparecer.

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