João Moleira: “Já se entendeu que por se ser mais descontraído não se é menos profissional”

João Moleira é um dos principais rostos da informação da SIC. Atualmente, o jornalista apresenta a “Edição da Manhã” e o “Primeiro Jornal”, apesar de também sentir o apelo pelo registo mais informal. Em 2015, por exemplo, apresentou um programa na SIC Mulher. Apesar da aposta do canal em si, o pivot admite que lhe falta fazer tudo na informação e que, hoje em dia, a televisão voltou a entender o seu papel. Moleira deu por terminadas as emissões nos estúdios de Carnaxide, num dia que ficou para história da estação.

 

A Caixa que já foi Mágica.: Foi o rosto escolhido para apresentar a última emissão nos históricos estúdios de Carnaxide. Sentiu alguma responsabilidade acrescida?

João Moleira.: Sei que foi um momento que fica para a história da estação, com toda a carga emocional que fechar as portas de Carnaxide teve. É bom fazer parte da história, mas a responsabilidade é a mesma todos os dias: fazer a melhor televisão que sabemos e podemos.

ACQJFM.: São as primeiras semanas na nova sede em Paço de Arcos. Como está a ser a adaptação e que ambiente se vive na SIC?

JM.: Está a ser boa. O momento era aguardado por todos há muito. Não podemos dizer que foram uns primeiros dias normais, porque houve uma necessidade de adaptação até a novos processos de trabalho, mas, de uma forma genérica, tem corrido muito bem. O ambiente é de muito entusiasmo para encarar todos os novos desafios.

ACQJFM.: Sentiu que o facto de apresentar o “Primeiro Jornal” lhe trouxe uma maior visibilidade?

JM.: É normal quando saltamos de um canal de cabo para um canal aberto que haja mais gente a ver-nos. Agora, acho que não devemos pensar nisso. O desafio e o profissionalismo tem de ser o mesmo, seja no “Primeiro Jornal” e no “Jornal da Noite”, como já aconteceu, ou em qualquer horário da SIC Notícias.

 

ACQJFM.: O que é que é mais desafiante: apresentar a “Edição da Manhã” com mais de 3 horas em direto, ou apresentar o “Primeiro Jornal” que chega a um número muito maior de espectadores?

JM.: São coisas completamente diferentes, para públicos diferentes, que procuram coisas diferentes na informação. A mim agrada-me muito o “Primeiro Jornal” porque tenho o desafio de o coordenar também e de tentar ir de encontro ao que o espectador que vê televisão à hora de almoço quer. Mas a “Edição da Manhã” é um desafio muito grande. São 4 horas em direto todos os dias, há muitos anos. Não há mais nenhum espaço de informação no país com esta duração e o grau de exigência, de rigor, de concentração, são muito grandes.

ACQJFM.: Em 2015 apresentou o “Não Faz Sentido”, na SIC Mulher, e em 2017 afirmou em entrevista que gosta do registo informal. Ambiciona fazer entretenimento ou outro género de jornalismo?

JM.: Eu nunca ambicionei fazer nada. As coisas foram surgindo de forma natural. É a melhor forma de encarar o meio profissional para não ter expectativas furadas. É certo que me identifico com um registo mais informal desde o inicio, mas sempre achei que esse ia ser o futuro da apresentação de informação e o tempo tem-me dado razão. E não só através da minha forma de apresentar, mas a de todos os outros que também já perceberam que esse é o melhor caminho para chegar às pessoas. Finalmente já se entendeu que por se ser um pouco mais informal ou descontraído não se é menos rigoroso ou profissional. Isso é que importa. Quanto aos desafios, são sempre bem vindos e serão devidamente ponderados.

ACQJFM.: É uma das caras da informação da SIC e pivot de um dos principais informativos do canal. O que é que lhe falta fazer?

JM.: Tudo! Em informação falta sempre fazer tudo porque o mundo não pára.

ACQJFM.: Algumas publicações têm explorado a sua vida privada. É algo que o incomoda?

JM.: Prefiro ser noticia pelo meu trabalho.

ACQJFM.: Na entrevista de 2012 ao site, afirmou que a televisão, apesar de ter perdido importância, continua a ser a “caixa mágica”. Sete anos depois tem a mesma opinião?

JM.: Acho que a televisão de então para cá ganhou consciência disso. Tem sabido acompanhar a mudança e reinventar-se. A SIC é o melhor exemplo disso.

%d bloggers like this: