Ficha Técnica com Marco Ferreira.: “A televisão vai ser apenas mais um ecrã”

Marco Ferreira é Coordenador de Imagem e Autopromoção no Sport Lisboa e Benfica, desde 2015. Antes de ingressar no clube da Luz, esteve 14 anos na SIC como Sénior Designer e, mais tarde, como Coordenador de Imagem de Programas. 

Aos 40 anos tem em mãos o grande desafio profissional de desenvolver toda a promoção da marca Benfica. As ideias para qualquer processo criativo de promoção, diz, surgem de “forma natural” devido à paixão que tem pela profissão. Profissão essa que, segundo ele, tem cada vez mais concorrência por despertar “muita curiosidade nos jovens”.

O profissional admite que os canais generalistas dão “pouco espaço para abordagens fraturantes” no que toca a autopromoção e que a televisão é a “opção menos estimulante” atualmente.

Em entrevista ao “Ficha Técnica”, Marco revela ainda ser “49% do Benfica e 51% do Belenenses”. 

Fotografia.: Marco Ferreira

A Caixa que já foi Mágica.: Qual é o trabalho de um Coordenador de Imagem e Autopromoção?

Marco Ferreira.: Na nossa equipa temos a grande responsabilidade de desenvolver toda a comunicação vídeo e comunicação gráfica para Digital, slbenfica.pt, Redes Sociais, Stores ou BTV.

Temos de garantir que toda a comunicação da empresa está de acordo com as melhores práticas e que esta está totalmente alinhada com os valores da marca SL Benfica.

ACQJFM.: Existe muita concorrência na sua área de trabalho?  

M.F.: Já existiu menos. Hoje em dia são profissões que cada vez mais são conhecidas e que despertam muita curiosidade nos jovens. É muito estimulante desenvolver conteúdos e hoje em dia existe diversa informação que está acessível e que pode dar ferramentas e autonomia a quem se dedica e aprofunda conhecimento. Mesmo na área de Motion Graphics é possível desenvolver competências e alimentar a paixão com tremenda facilidade. Felizmente estamos a viver tempos em que a velocidade e a reação aos estímulos que nos surgem nos faz também aumentar a velocidade de reação. Tenho contacto com diversos jovens que são um ótimo exemplo desta realidade.

Por este motivo, existe mais concorrência e isso é ótimo porque também nos faz crescer para tentar acompanhar o ritmo.

ACQJFM.: O que é que o inspira quando faz uma autopromoção ou um genérico de um programa?

M.F.:A inspiração surge de forma natural pela paixão intensa que tenho em desempenhar a minha profissão. Várias imagens surgem soltas dentro da minha cabeça quando me é proposto um desafio. Posteriormente são trabalhadas, desconstruídas e materializadas.

Para cada caso as respostas são diferentes e o grande prazer é o processo e como vamos conseguir encontrar a solução.

ACQJFM.: Muitas vezes a auto-promoção implica a pesquisa de muitas imagens para um curto espaço de tempo. Como se processa essa escolha?

M.F.: Este trabalho é um trabalho contínuo e diário que mesmo sem um objetivo em concreto nos fornece recursos para conseguirmos ter uma resposta célere e eficaz para quando o desafio surge.

Existe uma segunda parte de pesquisa específica onde se procuram encontrar estímulos que iniciem o processo de desenvolvimento do conceito, numa perspetiva mais específica e que, dependendo do projeto, pode ter diferentes durações.

ACQJFM.: Há alguma criação que seja a sua preferida?

M.F.: Regra geral existe uma ligação forte com a mais recente criação. Em concreto, a mais recente criação com a qual me identifico mais e da qual tenho maior orgulho pela complexidade do projeto e pela dimensão do desafio foi, sem dúvida, o recente Rebrand da BTV  (https://www.behance.net/gallery/71725335/BTV-Rebrand).

ACQJFM.: Qual foi a sua maior motivação para se transferir para BTV?  

M.F.: Foi procurar um novo desafio e uma nova etapa profissional. Foi também aceitar um convite que me foi remetido para começar um departamento de Imagem e Autopromoção que ainda não existia e que teria que desenvolver do início.

O objetivo inicial do projeto foi o de uniformizar a comunicação nos diferentes meios, ter uma forte componente criativa e de desenvolvimento de conteúdos. Além disso, era necessário ter uma equipa que fosse capaz de desenvolver novas identidades gráficas de programas, de renovar a Imagem da BTV, como aconteceu recentemente, de comunicar coerentemente todos os produtos comerciais desenvolvidos pela Marca e distribuir estes conteúdos em todas as plataformas.

ACQJFM.: Quais são as maiores diferenças entre a SIC e a BTV no que toca ao seu trabalho?

M.F.: Existem grandes diferenças nas duas empresas. Estão em setores diferentes e têm diferentes dimensões e áreas de atuação.

A SIC é uma empresa que aposta muito em tecnologia. É uma empresa de comunicação que sempre teve uma estrutura ágil e que rapidamente se adaptou às mudanças do setor. Na SIC existem excelentes condições para a prática da nossa profissão.

Há três anos, essas condições eram uma realidade por adquirir no Benfica. Hoje, cada vez mais, podemos dizer que existem meios idênticos que nos permitem desenvolver, com qualidade, o nosso trabalho.

ACQJFM.: Trocou um canal generalista por um canal pago. Acredita que a televisão em sinal aberto tem os dias contados?

M.F.: Acredito que os canais generalistas vão resistir, desde que se adaptem e procurem novas abordagens e presença de publicidade na emissão, assim como têm de encontrar conteúdos que façam a diferença.

Só assim vão conseguir resistir à evolução dos canais pagos.

Fotografia.: behance.net

Os canais portugueses apostam pouco na autopromoção? 

M.F.: Existe pouco espaço para a criatividade e para abordagens fraturantes em autopromoção nos canais generalistas. Nesta matéria, os canais temáticos estão a ter uma atitude mais disruptiva e eficaz, pois trazem novidade e surpreendem com soluções criativas, dinâmicas e atuais. Estas soluções provocam emoções e experiências mais estimulantes que dão origem a um superior grau de retenção da informação. Para que esta realidade seja global é necessário que exista um maior investimento em bons recursos humanos que tenham capacidade e tempo para desenvolver novos conceitos.

ACQJFM.: A televisão ainda é a “caixa mágica”?

M.F.: A televisão vai ser apenas mais um ecrã. Estamos a diluir a nossa atenção por diversas plataformas e a televisão é cada vez menos apelativa para uma geração que pretende ser estimulada de forma diferente. Essa geração pretende procurar conteúdos de forma ativa e pretende interagir com os conteúdos que escolhe. A televisão como a conhecemos está a mudar porque a concorrência é alta e porque é a opção menos estimulante.

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