“No comments”

Judite de Sousa em Pedrogão Grande
Fotografia.: Divulgação TVI

Geralmente não me junto aos coros de críticas que se fazem ecoar por essas redes sociais fora. Desta vez, não posso ficar indiferente.

Neste domingo, em Pedrógão Grande, Judite Sousa fez uma reportagem junto de um corpo de uma mulher que morreu a fugir das chamas“Está um corpo aqui ao meu lado, de uma senhora, que ainda não foi recolhido, apesar de os bombeiros se encontrarem muito perto deste local”. Foram estas as palavras utilizadas pela jornalista enquanto apontava para o corpo apenas coberto por um lençol branco.

Judite cometeu o maior erro da sua carreira neste dia. Aquilo que fez não tem desculpa. Desrespeitou a dor daqueles que sofreram e sofrem com a tragédia, desrespeitou aquela mulher e desrespeitou o jornalismo.

A situação é delicada ou não fosse o incêndio na zona de Leiria a maior tragédia dos últimos anos em Portugal.

Esta situação é imperdoável para qualquer jornalista e para qualquer canal. Neste caso, existe uma agravante. Judite Sousa perdeu o único filho em 2014. Na altura, a mãe pediu respeito por si e por André Sousa Bessa aos colegas jornalistas. Devia ter percebido que se estavam a ultrapassar todos os limites.

Foram quebradas todas as regras de bom senso e do aceitável.

Esta segunda-feira, à N-TV, falou sobre a situação dizendo apenas: “no comments!”. Sem comentários mesmo, Judite!

13 thoughts on ““No comments”

  1. Não exageremos por favor! A Judite de Sousa falhou, errou, talvez pensasse que estava a fazer uma grande coisa, talvez em busca de mais protagonismo (sem necessidade), etc, etc. Mas por favor, já chega de bater no ceguinho, afinal ela é um ser humano como outro qualquer. Nem sequer tenho nenhum fascínio pela senhora, como aliás não tenho por 97, 36% dos jornalistas e apresentadores, pela simples razão se não serem IMPARCIAIS. Mas… quantas “judites” da comunicação social há em Portugal? Já pensaram nisso? Pensem uns segundinhos por favor!

  2. A Judite de Sousa aproveitou aquilo que a produção considerou um furo jornalístico.
    Mas, gostaria era que a TVI explicasse como conseguiu estar ali naquele local, pois toda a área estava vedada e só membros das equipas é que podiam passar as barreiras. Ali temos 2 jornalistas dentro de uma zona de catástrofe que estava sobre investigação.
    As outras empresas de media até usaram drones para filmar aquelas estradas, pois não lhes era possível passar as barreiras de segurança.
    A forma como a judite se referiu ao corpo é que é muito desprestigiante para alguém com tantos anos de televisão. Não é preciso pensar na história pessoal da apresentadora, qualquer jovem jornalista que receba à jorna podia fazer aquilo para ganhar um prémio de uma empresa de média… uma jornalista com tantos anos de apresentação, nunca se deveria referir a alguém que faleceu daquela forma.

  3. Eu não gosto de ver pessoas mortas nos noticiários, mas isto não é inédito. Aliás, é bastante frequente até. Por esse motivo, acho as críticas à Judite muito exageradas.

  4. Foi um erro crasso da parte desta jornalista, principalmente quando ela própria sofreu uma tragédia pessoal e pediu respeito aos restantes colegas. Todavia, este tipo de jornalismo só acontece por um motivo: há espectadores que vêm. Se não houvesse audiência, isto não aconteceria. Não querendo desculpar a sua atitude (de todo!) todavia não penso que a culpa seja dos jornalistas que dão, mas das audiências que pedem

  5. A incapacidade de expressar ou sentir emoções pode eventualmente ser um problema, uma patologia! A incapacidade de se colocar no lugar do outro ou de perceber a dor alheia podem eventualmente ser sintomas.

  6. A Judite Sousa não foi nunca uma jornalista. Terá curso de jornalista mas a especialidade será “pasquinista”. Qualquer pessoa normal sabe que os corpos só podem ser removidos após autorização do instituto de medicina legal. Cobrir os corpos é sinal de civilização, utilizá-los para pedir a retirada de consequências á ministra da área é perpretar um crime, de exposição de cadáver e de aproveitamento com fins politicos.
    Se O ser humano em questão fosse meu familiar, pode ter a certeza que isto acabaria muito mal. Não me contento com afirmações vãs, nem com campanhas eleitorais á custa de seres humanos sem defesa. Não costumo escrever isto mas PQP esta “senhora”.
    Tenho dito.

  7. Sou totalmente contra as críticas que aqui estão a ser dirigidas à Judite de Sousa. Compreendo-a. Não é fácil para uma mãe lidar com a perda do seu único filho. Explicar isto à cambada de parvalhões que aqui a põem em causa é praticamente impossível.
    Primeiro, porque é preciso estar na pele da Judite, ter perdido o seu único filho nas circunstâncias de tempo e modo em que tal aconteceu. Segundo, porque não consigo descer ao nível de lixo de quem a critica. Em terceiro lugar, poder-se-á dizer que só os imbecis se atrevem a criticar a Judite de Sousa, porque só um imbecil compreende o que é dito por outro imbecil e eu, como não sou imbecil, não os consigo compreender, aos imbecis. Isto posto, quem não tem desculpa é a TVI. Obrigou a Judite de Sousa a fazer aquele papel, muito provavelmente sob represálias, caso o não desempenhasse. É que a TVI é assim mesmo. Vejam qual foi a programação de Domingo à tarde na TVI. Um carnaval em dia de luto nacional. Vejam qual foi o programa de 19/06/2017, à noite, outro carnaval em dia de luto nacional, onde entrou um palhaço de nome pedro guerra (o nome vai em letra pequena e já é muito para o cepo que ele é, porque a este pedro guerra é que deviam ter apertado o pescoço ao nascer). E para terminar, é sempre bom emprestar à comédia dos média o “tá tudo bem” do cavaleiro da triste figura, o “tá-se a tomar todas as medidas…” do sancho pança e o “não morreu nenhum estrangeiro” da serviçal do convento. E o que é que estes tristes governantes, mais todos os outros tristes governates nos vão dizer? Que é preciso apostar na prevenção (coisa que eles vêm dizendo ininterruptamente desde mil novecentos e troca o passo). Culpados? Para um tal de escritor que dá pelo nome de João Ferreira Dias e escreve blogs, aqui, no sapo, só à um: o Passos Coelho e mais nenhum. Um tonto como este JFD lhe chama. Obviamente, o JFD é um calhau.

  8. Mas qual é o problema ?
    tanto comentário inflamado de desagrado
    que parece mais um Fado.
    Pobre Portugal
    que em vez de olhar e pensar
    na incompetência vigente
    dá mais atenção a uma não
    notícia… PFiiiiiuuuu
    ( dispenso iluminados a responder )

  9. Meus Senhores e minhas Senhoras. O TEMA, e o DRAMA, não são para menosprezar pessoas, nem usar as pessoas para trata-las pior do que animais.
    São humanos, como eu, tem alma, as famílias estão em sofrimento por muitas razões.
    Cada ser humano, transcreve para o público, o que lhe vai na alma.
    Todos temos histórias de perdas de familiares, umas mais trágicas do que outras.
    Rezemos juntos, para que Deus Pai, Filho e Espírito Santo, nos conceda a Graça de uma boa chuvada, para acalmar os ânimos e o fogo.
    Tudo o resto é para murmuração, em nada edifica o ser humano.
    Os que já partiram, só nos resta rezar pela sua alma. Os que continuam entre nós, tenhamos respeito pela sua dor, sofrimento, e se possível, quanto menos interrogatórios e pormenores do que aconteceu, e está a acontecer, melhor!
    A natureza é muito exigente, e quando a natureza se "revolta", existem sempre vitimas.
    Agora é com os fogos, quando chove muito, é com a chuva!
    Ninguém quer este inferno, ninguém quer ouvir e ver estas notícias, mas devemos sofrer com os que sofrem, e chorar com os que choram. São as Obras de Misericórdia para todos, Crentes e não crentes!
    Que Deus nos ajude a todos a ter discernimento e tento na língua (neste caso, nos dedos que transcrevem o pensamento de cada um).
    Dai-lhes Senhor o Eterno Descanso Entre Os Esplendores da Luz Perpétua. Fazei Que Descansem em Paz. Amém.
    Pai nosso…
    Ave Maria…
    Glória…

  10. Infelizmente, de toda a notícia, resta um facto difícil de aceitar, alguém morreu num incêndio
    As notícias são cada vez mais sensacionalistas. Quem aceita as condições, avança, quem não aceita, fica para trás.
    A verdade é que estamos a ficar cansados do desrespeito que cria self made men and women.
    A verdade, é que estamos a ficar cansados de que ou vale tudo, ou não vales nada.
    Não culpemos ninguém em particular, porque tem de ceder ás exigências do mercado se quer manter o emprego. Culpemos o sistema que diz: Vai. Não importa mais nada. Faz notícia. Serve-te de tudo e de todos para nos dar audiências ou justificar o nosso sucesso, se te queres manter na linha da frente.
    E para isso, nem sequer dão tempo para que chore o seu filho.
    Quem tem para além dos dias de luto para chorar a morte de um filho?
    A verdade é essa.
    Estamos cansados de já não termos direito de dizer, eu estou triste, eu estou a sofrer, eu estou a chorar e a sangrar.
    Depois de uma palmadinha nas costas, todos querem é que avancemos e não chateemos muito.
    Judite de Sousa se for condenada por este protagonismo, será apenas uma testa de ferro, para a ambição desmesurada e desrespeitosa de toda uma cadeia televisiva e noticiosa, sedenta de audiências e sensacionalismo.
    Alguns, têm coragem de dizer menos é mais e pagar na vida por essa decisão. Outros, já perderam a noção do certo e do errado e julgam que heróis e parvos são sinónimo uns dos outros.
    Não ceder á ostentação e ao despotismo inconsequente e psicótico, é um ato de heroísmo que se paga caro, não com a vida, mas no modo como se a vai viver a partir daí.
    Se a minha dor foi ignorada e criticada, se calhar, o certo é fazê-lo também.
    E os valores se perdem em dores dissolvidas em exigências sem complacência.
    Os tempos mudaram, mas não deixem que a clareza de análise se perca, fazendo o peão pagar pelo xeque maque no final do jogo.
    Maria Sou

  11. Na guerra das audiências tudo vale e este é apenas e só mais um triste episódio entre tantos outros já de longa data. Desde a “moda” de jornalistas de guerra, onde tivemos um (da RTP) que quase pisou uma mina e só então percebeu que cenários de guerra são para militares, outra (da SIC) foi baleada e teve que ser evacuada com o alto patrocínio de todos os portugueses que pagaram o jacto que a repatriou. Desde há alguns anos temos a “moda” do jornalismo incendiário, com este triste episodio e já depois tivemos o do avião que caiu e depois afinal não caiu, mas para o CM ate já tinha identificado o piloto….

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